Fragmentos de um passeio pelo Bairro do Jardim Portela
Estação Glória Silva Corrêa, também
conhecida como Estação Saudade
– Nós
chegamos logo no começo da vila e pudemos assistir à chegada dos pais de cada
um deles; primeiro só o casal ou com um neném de colo, abrindo alicerce para a
construção da casa de seus sonhos. Depois começaram a chegar as crianças e a
família aumentando. Dá saudade daquele
tempo, sabe Boteco.
– Era
diferente de hoje, que sai todo mundo cedo e só volta à noite. As crianças
crescem muito rápido. Aliás, nem sei se chegam a ter infância. Naquele tempo,
não. O pai saía de madrugada para o trabalho e a mãe ficava com o serviço de
casa e uma “penca” de filhos para tomar conta. Tomar conta, apenas força de
expressão, porque tomar conta era quase impossível. A criançada saía para as
ruas de manhã e voltava quando sentia fome. A mãe, com roupas para lavar, casa
para limpar e comida para fazer, não via o dia passar. E os pequenos chegavam aos pouco, cansados e suados de tanto
brincar e, para alívio da mãe, chagavam inteiros, sem nenhum machucado que
pudesse preocupar.
–
Puxa, meu! Agora você foi fundo!
– Olhe
para eles, agora, Sobrado. Parecem crianças novamente. Sentados em um dos
pontos de encontro mais famoso de todos os tempos – modéstia à parte – e
olhando ao redor como que a procurar algum vestígio do passado. Eu seria capaz
de apostar que reviveram, em apenas um dia, muitas das lembranças daqueles
tempos.
– Falando
em ponto de encontro, Boteco, você me fez lembrar de quando, já na
adolescência, eles passavam por aqui todo enfeitados, a caminho da quermesse ou
da matinê, no cinema do Pereira. Acho até que namoravam entre eles, mas o medo
dos pais e dos irmãos fazia com que namorassem escondidos. E quantos bailinhos
fizeram aí em seus salões, Boteco, ou aqui, em meus cômodos.
– É,
amigo, estamos ficando velhos! Quanta coisa assistimos daqui do nosso cantinho.
Opa! Olhe lá. Estão se levantando para ir embora. Veja como olham para nós;
olhar de despedida, mas, me parece, felizes por esse reencontro.
–
Bem pessoal, o dia foi maravilhoso, mas agora é hora de nos despedirmos.
– Esperem,
deixem-me fazer uma sugestão. Terminamos nosso passeio mais cedo do que
prevíamos e, se concordarem, poderíamos fazer uma visita para a Caixa d’Água da chácara e
para a Paineira. Acho que elas ficariam felizes com nossa visita.
Todos
concordam e, deixando as escadarias, descem a rua Rio Branco, a caminho do
último reencontro do dia e, ali, na tampa da caixa, aos pés da paineira e
rodeados pelas goiabeiras, conversaram até o anoitecer, matando saudades e
colocando os assuntos em dia.
(Chegada - Fim desta viagem)
Espero que tenham gostado da viagem.
–
Até a próxima! – Até qualquer
dia!
Lista de
passageiros que contribuíram com fragmentos de suas lembranças
Aline Barril Lopz - Ana Glória Corrêa - Ana Rosa Corrêa - Ângela Maria Corrêa - Antonio James Pinheiro - Ayrton Corrêa - Célia Regina Corrêa – Elisabete Fonseca Nicolau – Elisete Fonseca Nicolau – Francisco Gonçalves (Chiquinho) - José Carlos Branco – Justino Ferreira dos Santos (Tino) - Leandra Corrêa Branquinho - Leandro Lopz - Márcio da Ponte Branquinho – Neusa Santana - Nilva Ajala - Pedro Virgílio Corrêa Filho - Rafael Barranco Jr - Sônia Prado - Tati Moreno - Valéria Centalvi - Vitória Paixão – Walter Braga.
Adaptação dos textos originais
escritos entre 10/Jul/2014 a 19/Set/2014
Edição, adaptação e organização:
Ayrton Corrêa

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